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Como interpretar gráficos de funções no ENEM: 1º e 2º grau

Aprenda a interpretar gráficos de funções do 1º e 2º grau usando eixo Y, crescimento, concavidade e vértice para ganhar tempo no ENEM.

Estudante interpretando gráficos de funções do primeiro e segundo grau para o ENEM
Aprender a identificar rapidamente as informações do gráfico evita cálculos desnecessários durante a prova.

Uma questão apresenta um gráfico, cinco alternativas com funções aparentemente parecidas e pouco tempo disponível.

A primeira reação de muitos estudantes é tentar descobrir imediatamente a equação completa: montar sistemas, substituir pontos e começar uma sequência de contas.

Só que muitas questões não exigem tudo isso.

Em gráficos de funções do 1º e do 2º grau, algumas informações visuais permitem eliminar alternativas antes mesmo de começar os cálculos.

Onde o gráfico corta o eixo Y? A reta está crescendo ou diminuindo? A parábola tem concavidade para cima ou para baixo? Onde está o vértice?

Esses detalhes revelam bastante sobre a função.

Neste artigo, você vai aprender como interpretar gráficos de funções usando os pontos mais importantes da reta e da parábola para ganhar tempo em questões do ENEM e dos vestibulares.

Comece pelo eixo Y

Existe um ponto que merece atenção imediata em praticamente toda questão desse tipo:

o ponto onde o gráfico cruza o eixo Y.

Isso acontece quando:

x = 0

Por isso, basta substituir x por zero na função para descobrir a coordenada y desse ponto.

Esse raciocínio funciona tanto na função do 1º grau quanto na função do 2º grau.

Na função do 1º grau

Se:

f(x) = ax + b

então:

f(0) = b

Portanto, o gráfico cruza o eixo Y no ponto:

(0, b)

Na função do 2º grau

Se:

f(x) = ax² + bx + c

então:

f(0) = c

Portanto, a parábola cruza o eixo Y no ponto:

(0, c)

Essa informação sozinha já pode eliminar várias alternativas.

Gráfico da função do 1º grau: procure dois sinais

Gráfico de função do primeiro grau destacando o intercepto no eixo Y no ponto zero b
Na função f(x) = ax + b, a reta cruza o eixo Y no ponto (0, b).

Uma função do 1º grau tem a forma:

f(x) = ax + b, com a ≠ 0

Seu gráfico é uma reta.

Para interpretá-la rapidamente, observe principalmente os coeficientes a e b.

O coeficiente linear b

O número b indica a coordenada y do ponto onde a reta cruza o eixo Y.

Se uma reta cruza o eixo Y em:

y = 5

então sua função obrigatoriamente possui:

b = 5

Logo, ela terá a forma:

f(x) = ax + 5

Isso já permite descartar qualquer alternativa cujo termo independente não seja 5.

O coeficiente angular a

O coeficiente a indica a inclinação da reta.

Quando analisamos o gráfico da esquerda para a direita:

  • se a reta sobe, a > 0;
  • se a reta desce, a < 0.

Portanto, antes de calcular qualquer coisa, você já consegue descobrir o sinal de a apenas observando o comportamento da reta.

Exemplo rápido

Imagine uma reta que:

  • é decrescente;
  • cruza o eixo Y em 10.

Sem fazer contas, já sabemos que sua função deve ter a estrutura:

f(x) = ax + 10, com a < 0

Qualquer alternativa com coeficiente de x positivo ou termo independente diferente de 10 pode ser eliminada.

Leia também: Equação da Reta: entenda a relação com a Função do 1º Grau.

Para revisar a função afim, leia Função do 1º Grau: gráficos, lei da função e questões.

Gráfico da função do 2º grau: três informações essenciais

Comparação de parábolas com concavidade para cima e para baixo e destaque do intercepto no eixo Y
O sinal de a determina a concavidade da parábola, enquanto c indica o valor de f(0).

Uma função do 2º grau tem a forma:

f(x) = ax² + bx + c, com a ≠ 0

Seu gráfico é uma parábola.

Para interpretá-la rapidamente, observe três características.

1. Onde a parábola cruza o eixo Y?

Mais uma vez, comece pelo eixo Y.

Na função:

f(x) = ax² + bx + c

temos:

f(0) = c

Portanto, c é a coordenada y do ponto em que a parábola cruza o eixo vertical.

Se o gráfico passa pelo ponto:

(0, −3)

então:

c = −3

A função obrigatoriamente termina em −3.

É uma informação visual simples e extremamente útil para eliminar alternativas.

2. Qual é a concavidade da parábola?

O sinal do coeficiente a determina para qual lado a parábola se abre.

  • Se a > 0, a concavidade é voltada para cima.
  • Se a < 0, a concavidade é voltada para baixo.

Você pode memorizar visualmente:

a > 0 → ∪

a < 0 → ∩

Por isso, se o gráfico tem concavidade para baixo, qualquer alternativa com coeficiente de x² positivo já está errada.

Leia também: Função do 2º Grau: entenda os coeficientes e o gráfico da parábola.

Onde está o máximo ou o mínimo? Observe o vértice

Gráfico da função f(x) igual a menos x ao quadrado mais 4x destacando o vértice no ponto 2 vírgula 4
Em f(x) = −x² + 4x, as raízes são 0 e 4 e o vértice (2, 4) representa o ponto de máximo.

O vértice é o ponto em que a parábola muda de direção.

Considerando uma função quadrática definida nos números reais:

  • se a > 0, o vértice representa o ponto de mínimo da função;
  • se a < 0, o vértice representa o ponto de máximo da função.

Isso aparece bastante em problemas contextualizados.

Alguns exemplos:

  • lucro máximo de uma empresa;
  • altura máxima de um objeto;
  • custo mínimo de produção;
  • área máxima;
  • distância mínima.

Quando uma questão de função quadrática pergunta por máximo ou mínimo, o vértice merece atenção imediata.

X do vértice ou Y do vértice?

Aqui existe uma diferença importante.

Se a questão pergunta:

"Quando ocorre o valor máximo?"

normalmente procuramos:

xᵥ

Mas se pergunta:

"Qual é o valor máximo?"

normalmente procuramos:

yᵥ

Por exemplo:

Em que instante o objeto atinge a altura máxima?

Precisamos descobrir xᵥ, porque a pergunta pede o instante.

Agora:

Qual é a altura máxima atingida pelo objeto?

Precisamos descobrir yᵥ, porque a pergunta pede o valor da altura.

Leia também: X do Vértice e Y do Vértice: como saber qual usar?.

Para aprofundar o tema, veja Vértice da parábola no ENEM.

Veja uma aplicação em vestibular

A leitura correta do gráfico e do vértice também aparece em vestibulares tradicionais.

Acompanhe esta resolução da Waldemática envolvendo função do 2º grau:

FUVEST 2005 — Função do 2º Grau | Resolução com dicas

Método rápido para eliminar alternativas

Infográfico com três passos para interpretar gráficos e eliminar alternativas em questões do ENEM
Observe primeiro o eixo Y, depois a inclinação ou concavidade e só então faça os cálculos necessários.

Agora podemos transformar tudo isso em uma estratégia prática de prova.

Antes de começar contas longas, siga esta ordem.

Passo 1 — Observe o eixo Y

Descubra qual é o termo independente da função.

  • Na função do 1º grau: b
  • Na função do 2º grau: c

Elimine as alternativas incompatíveis.

Passo 2 — Observe o comportamento do gráfico

Se for uma reta:

  • crescente → a > 0
  • decrescente → a < 0

Se for uma parábola:

  • concavidade para cima → a > 0
  • concavidade para baixo → a < 0

Elimine novamente as alternativas incompatíveis.

Passo 3 — Só depois faça contas

Muitas vezes sobrará apenas uma alternativa.

Quando ainda restarem duas ou mais, aí sim vale usar outros pontos do gráfico, raízes, vértice ou cálculos algébricos.

A ideia não é fugir da Matemática.

É não calcular aquilo que o gráfico já revelou visualmente.

Exemplo: resolvendo praticamente sem contas

Considere a seguinte situação.

O lucro de uma empresa é representado por uma função quadrática. Seu gráfico apresenta:

  • concavidade voltada para baixo;
  • interseção com o eixo Y em R$ 5.000.

Qual das funções abaixo pode representar esse gráfico?

A) L(x) = 2x² − 3x − 5000

B) L(x) = −x² + 4x + 5000

C) L(x) = x² + 4x + 5000

D) L(x) = −2x² + 10x

E) L(x) = −x² − 5000

Passo 1: observe o eixo Y

O gráfico cruza o eixo Y em:

5000

Logo:

c = 5000

A função precisa terminar em +5000.

Restam apenas:

B) L(x) = −x² + 4x + 5000

C) L(x) = x² + 4x + 5000

Passo 2: observe a concavidade

A parábola tem concavidade voltada para baixo.

Portanto:

a < 0

Na alternativa C:

a = 1

Ela tem concavidade para cima.

Logo, C está errada.

Na alternativa B:

a = −1

A concavidade é para baixo.

Portanto:

Resposta: alternativa B.

Nenhum sistema foi necessário.

Erros frequentes ao interpretar gráficos

Confundir o eixo X com o eixo Y

Esse é provavelmente o erro mais comum.

As raízes ou zeros da função aparecem onde o gráfico cruza o eixo X.

Nesses pontos:

f(x) = 0

Já o termo independente está relacionado ao ponto em que o gráfico cruza o eixo Y.

Na reta:

(0, b)

Na parábola:

(0, c)

São informações diferentes.

Achar que toda reta representa uma função do 1º grau

Não.

Uma função do 1º grau tem a forma:

f(x) = ax + b, com a ≠ 0

Se:

a = 0

temos uma função constante:

f(x) = b

Seu gráfico também é uma reta, mas uma reta horizontal.

Além disso, uma reta vertical não representa uma função de x do tipo y = f(x), pois para um mesmo valor de x teríamos vários valores de y.

Achar que o vértice sempre fica "entre as raízes"

Quando uma parábola possui duas raízes reais distintas, a coordenada x do vértice está exatamente no ponto médio entre elas.

Mas uma parábola pode:

  • possuir duas raízes reais;
  • possuir uma única raiz real;
  • não possuir raízes reais.

O vértice continua existindo em todos esses casos.

A forma geral para sua coordenada horizontal é:

xᵥ = −b ÷ (2a)

Olhar apenas para fórmulas e ignorar o gráfico

Isso transforma uma questão visual em uma questão algébrica muito maior do que deveria ser.

O gráfico já contém informações.

Antes de calcular, pergunte:

  • onde cruza o eixo Y?
  • está crescendo ou diminuindo?
  • qual é a concavidade?
  • existem raízes visíveis?
  • existe máximo ou mínimo?
  • o que os eixos representam?

Só depois escolha a ferramenta algébrica necessária.

Para uma abordagem mais ampla, incluindo gráficos estatísticos, leia Interpretação de gráficos. Aqui, o foco é a leitura de gráficos de funções para eliminar alternativas.

FAQ — interpretação de gráficos de funções

O que significa o ponto onde o gráfico cruza o eixo Y?

É o valor da função quando:

x = 0

Na função do 1º grau:

f(0) = b

Na função do 2º grau:

f(0) = c

Como saber se uma reta é crescente ou decrescente?

Observe o coeficiente angular a.

Se:

a > 0

a função é crescente.

Se:

a < 0

a função é decrescente.

Como saber se uma parábola tem máximo ou mínimo?

Observe sua concavidade.

Se:

a > 0

ela possui um ponto de mínimo.

Se:

a < 0

ela possui um ponto de máximo.

Como saber se devo usar xᵥ ou yᵥ?

Pergunte o que o problema deseja.

Se a pergunta for quando, em que instante, para qual quantidade ou algo semelhante, normalmente procuramos xᵥ.

Se perguntar qual é o valor máximo ou mínimo, normalmente procuramos yᵥ.

Preciso descobrir a equação completa em toda questão com gráfico?

Não.

Em várias questões de múltipla escolha, informações como intercepto no eixo Y, sinal do coeficiente angular, concavidade e vértice permitem eliminar alternativas antes de determinar a função completa.

Esse é justamente o principal objetivo da estratégia apresentada neste artigo.

Leia também

Treine o olhar antes de fazer contas

Interpretar gráficos não é um truque para evitar Matemática.

É justamente o contrário.

É compreender suficientemente bem a estrutura de uma função para reconhecer no gráfico informações que muitos estudantes tentam redescobrir fazendo contas.

Em uma questão de múltipla escolha, faça sempre esta sequência:

eixo Y → comportamento do gráfico → concavidade ou inclinação → vértice e raízes → cálculos, somente se necessários.

Quanto mais você treinar essa leitura, mais natural ela ficará.

E isso significa uma coisa importante no ENEM e nos vestibulares:

menos tempo gasto em cálculos desnecessários e mais tempo disponível para as questões que realmente exigem trabalho algébrico.

Para reforçar sua base de Matemática, conheça os Cursos Gratuitos da Waldemática.

E para uma preparação completa e organizada para ENEM e vestibulares, veja o Extensivo Waldemática.

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