Você já parou para pensar em como o preço de uma corrida de aplicativo é calculado? O valor que você paga depende de fatores como a distância percorrida e o tempo da viagem. Na padaria, se o pão é vendido por quilo, o valor total a pagar depende da massa indicada na balança.
Na matemática, quando uma grandeza depende de outra para ser calculada, dizemos que existe uma relação entre elas. E quando essa relação segue algumas regras específicas, nós a chamamos de função.
Muitos estudantes travam na matemática do Ensino Médio porque tentam decorar fórmulas de funções sem entender a essência do assunto. Se você se confunde com termos como f(x), domínio, imagem e contradomínio, este artigo vai ajudar a organizar esses conceitos.
A equipe Waldemática preparou este guia para você aprender o que é função na matemática, como interpretar seus gráficos e como esse assunto constrói a base para resolver questões do ENEM e dos vestibulares. Vamos lá?

O que é função na matemática? A ideia da máquina
Imagine uma máquina. Você insere uma matéria-prima nela (uma entrada), a máquina processa essa matéria-prima seguindo uma regra de fábrica e devolve um produto final (uma saída).
Uma função matemática trabalha exatamente com essa lógica. Ela é uma regra que relaciona cada elemento de um grupo inicial a um único resultado em um grupo final.
Nessa máquina, trabalhamos com variáveis:
- Variável independente (x): é o valor que você escolhe colocar na máquina, entre os valores permitidos pelo domínio. Pode ser, por exemplo, o número de pães que você vai comprar, quando o preço por unidade é fixo.
- Variável dependente (y): é o resultado que a máquina devolve. Ele depende do valor de x. No nosso exemplo, é o preço total a pagar.
A função é, portanto, a regra que conecta o valor de x ao valor de y.
A definição matemática rigorosa (Diagrama de Flechas)
Para que uma relação entre dois conjuntos (vamos chamá-los de Conjunto A e Conjunto B) receba o nome de função de A em B, ela precisa obedecer a duas regras.
Costumamos analisar isso usando os diagramas de flechas. O Conjunto A é de onde as flechas saem (os valores de x), e o Conjunto B é onde as flechas chegam (os valores de y).

- Todos trabalham! Todos os elementos do Conjunto A precisam emitir uma flecha. Não pode sobrar nenhum elemento no conjunto de partida sem correspondente.
- Uma única saída! Cada elemento do Conjunto A só pode emitir uma única flecha. Ou seja, um mesmo valor de entrada x não pode gerar dois resultados y diferentes. Imagine apertar o botão do número 3 na calculadora e ela dar a resposta 5 e 8 ao mesmo tempo: a máquina não estaria seguindo uma regra de saída única.
Elementos diferentes de A podem apontar para o mesmo elemento de B. Isso não impede que a relação seja uma função.
Se uma relação de A em B obedecer às duas regras, você tem em mãos uma função matemática!
Domínio, Contradomínio e Imagem: qual a diferença?
Aqui está um dos pontos que mais confunde os alunos. Vamos separar esses conceitos de forma bem clara:

Domínio: o conjunto de partida
É formado por todos os valores de entrada possíveis para a função, ou seja, todos os valores que x pode assumir. Em um diagrama, é o conjunto completo de onde saem as flechas.
Contradomínio: o conjunto de chegada
É o conjunto definido como destino da função. Seus elementos são os candidatos a resultado: estão ali prontos para, talvez, receberem uma flecha. Todos os resultados da função devem pertencer a esse conjunto, mas nem todo elemento dele precisa ser atingido.
Imagem: os resultados efetivamente obtidos
Aqui está o segredo: a imagem é o grupo dos escolhidos. Ela é formada apenas pelos elementos do contradomínio que realmente receberam uma flecha, isto é, os valores que y efetivamente assumiu.
Resumo prático: a imagem está sempre contida no contradomínio. Ela pode ser igual ao contradomínio, quando todos os elementos recebem flechas, mas muitas vezes sobram elementos no contradomínio que não fazem parte da imagem.
No diagrama acima, −1 e 9 pertencem ao contradomínio, mas não à imagem. Os valores efetivamente atingidos são 0, 1 e 4.
Lei de formação: o que significa f(x)?
Quando abrimos um livro, logo esbarramos na notação f(x), que se lê “f de x”. O que isso significa?
Lembra da nossa variável dependente y? Escrever f(x) é uma forma de indicar o valor que a função f associa à entrada x. A expressão y = f(x) significa que y é o resultado da função para aquele valor de x. Não se trata de uma multiplicação de f por x.
A lei de formação descreve a regra de transformação da máquina. Muitas vezes, ela é expressa por uma fórmula algébrica.
Exemplo prático: o preço de uma corrida de táxi
Imagine que um táxi cobra um valor fixo de R$ 5,00 pela bandeirada, mais R$ 2,00 por quilômetro rodado (x).
A lei de formação dessa função é:
Nesse modelo, x ≥ 0, pois representa uma distância percorrida. Se você rodar 10 quilômetros, o valor a pagar será:
O preço da corrida é, portanto, R$ 25,00. O par ordenado que representa essa corrida seria (10, 25): para x = 10, geramos y = 25.
Como identificar uma função no gráfico?
Os pares ordenados (x, y) que encontramos na lei de formação podem ser marcados como pontos em um plano cartesiano. O conjunto de todos esses pontos forma o gráfico da função. Em funções contínuas definidas em um intervalo, eles compõem uma linha ou curva; em um domínio discreto, o gráfico pode ter apenas pontos separados.
- O eixo x, horizontal, representa os valores da variável independente.
- O eixo y, vertical, representa os valores da variável dependente.
- A imagem da função é formada pelos valores de y que a função efetivamente assume.
Mas como saber, apenas olhando para uma linha desenhada em um plano, se aquele gráfico representa y como função de x? Basta usar o teste da reta vertical.

Imagine retas verticais passando pelos diferentes valores de x:
- Se toda reta vertical cortar o gráfico em no máximo um ponto, ele pode representar y como função de x. Para cada x do domínio declarado, deve existir exatamente um ponto no gráfico; fora do domínio, pode não haver interseção.
- Se alguma reta vertical cruzar o gráfico em dois ou mais pontos, a relação não é uma função de x. Isso significaria que um mesmo x tem dois valores diferentes de y, quebrando a nossa regra de saída única.
Não basta testar uma única reta que cruze o gráfico uma vez: a condição precisa valer para todas. Na parábola y = x², cada x possui um único y. Já na circunferência x² + y² = 4, a reta x = 1 encontra dois pontos, com y = √3 e y = −√3.
Os principais tipos de funções no Ensino Médio
Agora que você entendeu a base estrutural, o caminho pelo Ensino Médio consistirá em estudar diferentes máquinas, cada uma com regras de formação e gráficos específicos.

Função afim e função do 1º grau
A lei de formação da função afim segue o formato:
Seu gráfico, considerando o domínio real, é uma reta: crescente quando a > 0, decrescente quando a < 0 e horizontal quando a = 0. Quando a ≠ 0, temos uma função do 1º grau. Ela descreve situações com taxa de variação constante, como o exemplo do táxi que vimos acima.
Para materializar essa ideia, separamos uma aula especial do nosso canal resolvendo exercícios de função do 1º grau. Vale a pena conferir antes de avançarmos:
Para aprofundar a teoria e aprender estratégias práticas, leia nosso guia sobre Função do 1º Grau: aprenda a interpretar gráficos, encontrar a lei da função e resolver questões.
Função quadrática ou função do 2º grau
Tem o formato:
O gráfico forma uma curva chamada parábola. Ela pode modelar desde a altura de uma bola ao longo do tempo até o cálculo de lucro máximo de uma empresa. Entenda como analisar o vértice no nosso artigo Função do 2º Grau: O Guia Definitivo e Macetes para o ENEM.
Função exponencial
Aqui, a variável x está no expoente, como em:
Na forma básica f(x) = aˣ, a base é positiva e diferente de 1. O gráfico é crescente quando a > 1 e decrescente quando 0 < a < 1. Esse tipo de função é usado para estudar juros compostos ou crescimento de bactérias, em modelos com fator multiplicativo constante.
Aprofunde esse assunto no artigo Função Exponencial no ENEM e Vestibulares: guia completo.
Funções trigonométricas
Envolvem seno, cosseno e tangente, como f(x) = sen(x). Seno e cosseno têm gráficos em formato de ondas e são periódicos, úteis para descrever fenômenos que se repetem, como marés e oscilações. A tangente também é periódica, mas seu gráfico tem ramos separados por assíntotas verticais e não tem o mesmo formato de onda.
Como estudar funções para o ENEM e os vestibulares
Além de trabalhar com fórmulas, estudar funções envolve aprender a interpretar situações por meio de relações entre grandezas.
Para se preparar, pratique estas habilidades:
- Interpretar gráficos e tabelas: extrair os dados, identificar os valores de x e y e reconhecer quando eles permitem determinar uma lei de formação.
- Traduzir textos para álgebra: ler um problema real, como planos de celular ou tarifas de energia, e montar a expressão correspondente.
- Descobrir pontos de máximo e mínimo: analisar, por exemplo, o vértice de uma função do 2º grau.
- Analisar a taxa de variação: perceber como uma grandeza está crescendo ou diminuindo em relação à outra.
Perguntas frequentes sobre funções
O que significa raiz ou zero da função?
A raiz de uma função é um valor de x do domínio que faz a máquina zerar, ou seja, para o qual f(x) = 0. No gráfico, corresponde à coordenada x de um ponto em que o gráfico encontra o eixo horizontal. Ele pode cruzar ou apenas tocar esse eixo.
Domínio e contradomínio são a mesma coisa?
Não. O domínio é o conjunto de todas as entradas permitidas. O contradomínio é o conjunto de chegada definido para a função, ao qual todas as saídas devem pertencer. A imagem reúne apenas as saídas efetivamente obtidas. Esses conjuntos não devem ser confundidos com os próprios eixos do plano cartesiano.
Uma relação pode ter um conjunto de partida, mas não ser função?
Sim! Se um elemento do conjunto de partida A emitir duas flechas para resultados diferentes, ou se sobrar algum elemento de A sem ligação, a relação matemática existe, mas não é uma função de A em B.
Como continuar estudando
Entender a teoria básica das funções ajuda a construir uma base para a Álgebra do Ensino Médio. Antes de avançar para fórmulas mais complexas, vale consolidar a interpretação das entradas, das saídas e dos gráficos.
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